Nonimata Morfina ou o poeta à casa torna

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Fabiano Calixto nasceu em 1973 em Garanhuns, PE, mas poderia ser em Odessa, Rio de Janeiro, Passo Fundo, Cabrobó, Vargem Grande do Sul, Belém do Pará, Sul de Nevada, Adis Adeba, Santiago do Chile, Haiti, como ele mesmo admite, em 2040 ou 2073. Mas é em Santo André que o ser cultural de fato nasceu na cidade para onde veio com os pais, ainda criança e viveu seu período de formação.

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A Livraria Alpharrabio, frequentada por ele e outros jovens poetas nos anos 90, início dos 2000, fez parte da história dessa importante fase do autor.
Daqui, levou editados os livros Algum (edição do autor, 1998) Fábrica (Alpharrabio Edições, 2000) e Um mundo só para cada par (Alpharrabio Edições, 2001) com Kleber Mantovani e Tarso de Melo) e foi vivendo em casa editoriais maiores, como CosacNaify, 7Letras, Editora 34, Edições SM e, mais recentemente, Edições Tinta-da-China, em Portugal.
Nós acreditamos e essas outras editoras só confirmaram nossa aposta.

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Fabiano Calixto sempre retorna, portando novos títulos.
Em torno do mais recente deles, Nominata Morfina – Livro de Gravuras (Corsário-Satã, SP, 2014), um livro de gênero inclassificável como já aponta malandramente o sub título

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Mas a quem interessa a classificação de gênero literário? Poesia em prosa, prosa em poesia ou mesmo “gravuras”, o fato é que estes textos, nada inocentes, nada superficiais, nada descompromissados, são socos no estômago do leitura desavisado.
Bom ir prevenido até eles, podem fazer mal à inocência.

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Foi disso que falamos, foram eles (os textos) que lemos, naquele sábado ensolarado de agosto, na casa que viu esse escritor nascer. dalila teles veras

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Processo artístico em exposição – Elen Gruber

Sob o título “Exposição de Processos”, desde o dia 16 de junho último, está aberta ao público na Livraria Alpharrabio, em Santo André, uma instigante exposição de Elen Gruber, com curadoria de Cristina Suzuki.
Melhor dizendo, está exposto ali um conjunto de objetos, vídeos, livros, cadernos e anotações que faz parte do processo de pesquisa da artista que leva o título de “12 Trabalhos”, transformado em uma inegável exposição, ainda que se trate de um trabalho em pleno progresso, uma exposição que convida a interagir e penetrar no universo criativo da artista.
É justamente sobre esse universo e os motivos que a motiva que Elen manterá uma conversa com o público no próximo dia 19, um sábado, às 11h.
Visite, observe, anote e… depois pergunte e discuta com a artista.
A título de convite, aqui ficam algumas imagens (por Luzia Maninha):

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Uma Confissão na Boca da Noite

“Como se sentássemos à mesa
Imemoriais e reverdecêssemos”

Foi assim: manhã de sábado de outono, céu sem nenhum nuvem, friozinho. Nada que um fumegante café não resolvesse. Depois a leitura do longo poema Uma Confissão à Boca da Noite, de Danilo Bueno, o bom filho que à casa torna, após andanças por Oropa, França e Bahia.

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A bela plaquete que abriga o poema, impressa pela “Córrego”, grande formato (21x30cm), edição de apenas 300 exemplares, papel especial, abre com uma bela imagem da fotógrafa Regiane Coelho que, não por acaso, foi clicada na época e local em que o poema foi iniciado (Genebra, dezembro de 2009). Sim, este é um “slow poem” (foi cunhado agorinha), realizado ao longo de quatro anos, fato que muito contribuiu com a poesia ali contida.

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O poema foi lido por seu autor e simultaneamente ouvido/lido pelos presentes, interação que, mais do que audição, leva à fruição do poema também pela distribuição dos versos nas páginas.

E entre versos e cafés, instaurou-se a discussão que, inevitavelmente, enveredou por veredas várias, questionamentos, dúvidas e angústias de poetas diante do ofício. Deu-se, ali, acima de tudo, a comunhão pela palavra e o compartilhamento de cumplicidades na poesia e na amizade.

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Quem não compareceu e ficou com vontade de adquirir a plaquete, o Danilo deixou alguns exemplares na livraria Alpharrabio. Corra ou envie um email para virtual@alpharrabio.com.br que enviamos pelo correio. (dtv)

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Milton Santos Jr. – Um filme e uma conversa

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Milton Santos Jr., o cineasta da Vila São Pedro, membro do Fórum Permanente de Debates Culturais, já é velho conhecido do Alpharrabio, onde já foram exibidos alguns de seus filmes, como O Cabrabode e Vila São Pedro.
Desta feita, numa promoção conjunta entre Alpharrabio e Fórum, aqui retornou para falar de seu mais recente filme, A Testemunha, que vem de uma curta mas já bem sucedida carreira, colecionando êxitos como a exibição no Cinema de Bordas do Itau Cultural. Neste novo filme, Milton confessa que, diferentemente dos anteriores, ousa mais na experimentação e narra uma história de forma não linear, “ousando nos cortes”.
O público que permaneceu para o bate-papo, concordou.

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Dono de inegável talento para a narrativa oral, próprio de sua gente (Jacaré, Bahia), na conversa com o público, Milton falou de como iniciou a filmar, influenciado, vejam só, pelo circo, contando passagens muitas vezes hilariantes que muito dizem de sua criatividade e capacidade de improvisar.
Milton envolve a comunidade que, no seu próprio dizer “me aceita bem porque sou eles, faço algo que eles também se reconhecem e que poderiam fazer”.
Alex Moletta, presente ao debate, pontuou que Milton trabalha com outra lógica do cinema tradicional, ou seja, ao invés de excluir ele inclui todo mundo.

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Saiba mais sobre Milton Santos Jr.:

http://globotv.globo.com/canal-brasil/cinema-de-bordas/v/o-cineasta-milton-santos-jr-revela-que-descobriu-o-cinema-atraves-do-circo/2901966/

http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=43115

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História de Rês e Marruás – ou da Paixão Segundo Borges/Alex/Toninho/JAD

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Três homens em desamparo de afetos e humanidade, reféns de contingências brutais, duelam contra si mesmos e a própria brutalidade, num tempo anterior aos tempos, um tempo sem data que pode ser hoje. Um local sem marca que pode ser aqui, sertão de todo lugar, sertão dentro tão ressequido quanto o da paisagem exterior, que tanto pode ser o sertão das gerais, do Nordeste, da Islândia ou da Grécia antiga, sertão universal, posto que habitado por humanos suscetíveis à imponderabilidade dos fados existenciais.

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O humano latente, pouco percebido pelos protagonistas, aqui e acolá, emerge como um possível lampejo de consciência primal e de recusa a uma vida abjeta que a matéria humana bruta carrega e não admite quaisquer possibilidade de transformação.
Três homens acostumados ao cheiro de bois e homens, três homens incapacitados para quaisquer possibilidade de delicadezas, três homens submetidos às suas próprias leis, são, pelas artes do amor de uma mulher (a intrusa?), desestabilizados em sua rudeza imprópria para as coisas dos sentimentos.
Dois deles acatam os desígnios e permanecem subjugados às leis estabelecidas, leis não escritas, leis de sangue e gerações. Subjugados pelo conflito da paixão e do ciúme, sacrificam o próprio objeto do amor e estabelecem a tragédia.
Apenas um deles e sua corajosa juventude, saudoso de cuidados maternos, possui a coragem para infringir a lei do sangue. Apenas ele diz NÃO.
Talvez este texto possa servir de possível sinopse para uma tragédia escrita pelo gênio argentino de Borges, reescrita e transformada pela criatividade dramatúrgica e brasileira de Alex Moletta, colocada em cena pela sensiblidade e profissionalismo de Toninho (Antônio Correa Neto) e que ganhou vida plena na voz e nos gestos de Ademir Antunes, Edson Cardoso, Renan Splandiun, Levi Cintra e Elaine Alves no espetáculo que recebeu o nome de História de Rês e Marruás e que eu, dalila teles veras, espectadora desarmada e acometida do choque estético que é próprio das obras de arte, assisti, nos dias 27 e 28 de março de 2014 nas dependências da Livraria Alpharrabio, em Santo André, do qual dou testemunho de fé.

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Em tempo: o debate após o espetáculo no dia 28 foi digno de aula magna coletiva, ministrada por cada um que ali estava, artista ou espectador, cada qual com seus saberes, ensinando e aprendendo. Viva! (o registro fotográfico, como sempre, é de Luzia Maninha).

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O livro “Pedro” (Alpharrabio Edições, 2014): ressonâncias

O livro “Pedro” (Alpharrabio Edições, 2014): ressonâncias espontâneas de leitores gabaritados:

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Assinado: Zhô Bertholini (poeta e artepostalista que ainda acredita no papel e no papel dos correios)

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Pedro

Noite de sexta-feira. Lua cheia. Clima propício a encontros e celebrações (nascimentos?)

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E foi o que aconteceu: celebrou-se a chegada de Pedro, o primeiro livro de Marcos Lemes e um dos muitos do catálogo da Alpharrabio Edições. O autor, iniciado em outras artes da palavra, o teatro e a sala de aula, agora ficciona na também página impressa.

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Contos brevíssimos. Personagens diversos com algo em comum, o nome, Pedro. Pedros apaixonados, pedros perplexos diante dos abismos humanos, pedros outros e o mesmo. Pedro você, pedro eu, pedro o autor, pedros, pedros. Pedro com a chave do céu e do inferno das paixões humanas.
E o povo foi chegando, chegando… Flores, homenagens, abraços, celebração de admiração e afetos, porque o autor representa uma unanimidade de amizades.

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Jovens, homens, mulheres, gente de meia-idade e de idade provecta, crianças, todos com um laço em comum, amigos do autor.

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E a festa foi longa. Lá pelo meio, a performance/homenagem com um conto do livro interpretado

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E a festa foi bela. E a festa foi o início e a promessa da continuidade. Que venham muitos outros contos, e romances, recheados de Pedros e Marias. Os registros fotográficos, como sempre, são de Luzia Maninha. (dtv)

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Uma conversa de livraria em torno da revista Mortal

Numa clara manhã de sábado pós-Carnaval, na Livraria Alpharrabio, na pauta de um grupo de curiosos e resistentes

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a Revista Mortal, por seus editores, Jairo Costa e Izabel Bueno

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Questionado, Jairo inicia dizendo que o título da revista é uma brincadeira do “movimento dos reles mortais” em relação aos “imortais” de fardões.

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A partir daí a conversa enveredou exatamente pelas trilhas editoriais da revista, editada em Santo André, mas que fala do ABC e dialoga com o mundo, ainda que a queixa do editor seja inevitável: “eu não consigo sair de Santo André, não há espaços. Não somos nada disso que se convencionou chamar de “região”, “grande ABC” porque não estamos conectados. Há uma total falta de trocas e a ideia é entrar em ambientes onde a gente não entra, criar algo em torno da agitação, reunir pessoas, fazer com que coisas aconteçam, estimular, inclusive, que gente que nunca publicou nada, mas tem conteúdo publique, como está publicando, na revista.”
Ainda que diante das dificuldades de toda ordem que, por vezes, parecem incontornáveis, Jairo e Izabel não esmorecem e perseguem em sua crença na “força do papel” e da palavra impressa. Já com a tiragem do número 01 praticamente esgotada, a ideia, diz Jairo, é lançar mais 2 números da revista ainda neste ano, trilhando a mobilização da mídia livre, não ter medo de abordar qualquer assunto, textos que saiam do lugar comum.
É assim que assuntos aparentemente tão díspares entre sim, como Bandas de rock, punk, anarquismo, política, artes visuais, manifestações de rua recentes, black blocks, literatura, quadrinhos, fotonovela, HQ e memória ocupam as páginas da Mortal. Dentre eles, chamou atenção dos participantes da roda de conversa a matéria sobre Constantino Castellani, operário e líder rebelde anarquista, assassinado pela polícia durante uma manifestação grevista em 1919, na rua Cel. Oliveira Lima, no mesmo local do “assassinato” da escultura Concreção 0005, de Luiz Sacilotto. Jairo pesquisou o assunto nos arquivos do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, com cerca de 600.000 documentos e 50.000 fotos, a maioria sem data nem identificação, que seguem “guardados” em caixas de papelão de supermercado.
Foi lembrado que foi esse mesmo sindicato que “ofereceu à cidade” um monumento que, pelo que saiu na imprensa, custou 300 mil reais, mas que não foi capaz de investir na preservação do seu importantíssimo acervo.
Ainda que o papel de uma revista não seja exatamente o de apontar soluções para casos como este, tem o mérito de despertar discussões e incitar ações que é o que parece acontecer com esta feliz iniciativa que, torcemos, tenha vida longa e desdobramentos. (dtv)

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Os 22 e o registro da Festa dos 22

Sábado, 22 do 02 (2014). Manhã. Sol. Após uma semana de trabalhos intensos e colaborativos, lá estava o Alpha, retocado, já velhinho e sempre novo, pronto para receber e celebrar.

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Ainda na calçada, bem em frente ao número 151, da rua Dr. Eduardo Monteiro, as “pistas” para a proposta do que ali iriam encontrar os convivas.

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Luzia Maninha, idealizadora e realizadora de (quase) toda produção que por aqui passa, sempre em silêncio nos bastidores, desta vez foi a protagonista, mesmo sem admitir. A sua generosa contribuição a esta história, resumida numa instalação composta por centenas de fotos de sua autoria, preencheram as paredes da livraria e celebraram, bem ao seu jeito, sempre coletivo/ colaborativo, os 22 anos da Livraria Alpharrabio.
Trouxeste a chave? Os Alphas no Alpha – Ano 22, foi o título dessa bela e significativa instalação, composta por centenas de chaveiros com fotos que retratam pessoas e acontecimentos no Alpharrabio ao longo destas duas décadas, mais dois, marcaram a festa de aniversário e o coração dos presentes. Socióloga de formação e alpharrabiana de entrega total, desde sempre comprometida com a coletividade, Maninha vem registrando em imagens todas as atividades da livraria desde sua inauguração, em 21 de fevereiro de 1992.
Do seu impressionante acervo de milhares de fotos, a princípio analógicas e, a partir de um determinado período, digitais, foram selecionadas cerca de 500 imagens para a instalação, que dão bem uma ideia da atmosfera cultural e diversidade das atividades, que vão do debate de ideias a apresentações musicais, passando por lançamentos de livros, exposições de arte, espetáculos teatrais, cursos, workshops, oficinas e uma infinidade de encontros informais entre pessoas que ali vão procurar interlocutores. Gente daqui, gente dali, gente de mais além que se exprimiu através da arte e da sua humanidade e hoje constitui uma história singular.
E muitos dos retratados foram chegando e “se procurando” nos chaveiros. A cada chaveiro retirado, ficou uma assinatura que vai formando outra obra.

Ali estávamos a saborear o fruto das sementes. Comemoramos e, desconfio, que insistimos nestas comemorações anuais, como já foi dito aqui, para não esmorecer, exatamente por sabermos que atuam como combustíveis propulsores para novas viagens.
Daqui saímos energizadas para negar a loucura.
Mais uma vez, o registro pertence à fotógrafa (melhor seria factotum) Luzia Maninha e atestam que esta casa é um lugar, dentre outras e significativas coisas, de pertencimento e cidadania. (dtv)

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Poetas do Alpha XXII

Uma carta a Satanás (excertos)

Como é que vai, Satanás?
Primeiro eu vou lhe dizer
que foi em missão de paz
que resolvi lhe escrever.
Mas saiba que não sou triste
nem sei se você existe,
se existe sei que não gosta
de quem sempre andou na linha,
só que pra essa cartinha
eu exijo uma resposta.

(…)

Em qualquer situação
você bem analisando
sua única função
é trabalhar castigando
os que viveram mentindo,
assassinando, estorquindo,
deixando desiludido
muito cidadão decente.
Então castigue essa gente
que eu lhe fico agradecido

(…)

Por aqui quanta amargura
no tempo da repressão.
Quem semeou ditadura
eu acredito que não
ficou no esquecimento.
E quanto aborrecimento
o governo “colorido”
causou, e quanta frieza!
Esse também com certeza
não deve ser esquecido.
(…)

Moreira de Acopiara, excerto do cordel integrante da coleção micro, nº 6 (Alpharrabio Edições)

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imagem: isaferreira, “derradeira missiva”

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