Fórum de Debates Culturais é notícia

8 de Fevereiro de 2010 @ 22:29 por Dalila

Ao completar dois anos de atividade, o Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC é notícia no Jornal ABCDMAIOR (versão impressa em papel, bem como no programa de Tv ABCDMAIOR em Revista). Ambos podem ser vistos no portal do Jornal: clic aqui para assistir ao programa de Tv e aqui para ler a notícia.

As culturas que excedem o lugar culturalizado discutidas no Fórum

2 de Fevereiro de 2010 @ 22:49 por Dalila

A primeira reunião deste ano do Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC, realizada nesta última segunda-feira, dia 1º de fevereiro de 2010, teve como pauta principal a discussão do texto Grande ABC: culturas que excedem o lugar culturalizado, de autoria do Prof. Dr. Luiz Roberto Alves, opúsculo publicado recentemente pela Alpharrabio Edições.

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Por volta das 18h30 chegamos a pensar que teríamos que cancelar o encontro, em vista das fortes chuvas que castigaram, assim como nos últimos 35 dias, toda a região do ABC, com conseqüências catastróficas para muitos bairros e centros das cidades, inviabilizando a acessibilidade dos cidadãos para todas as direções.

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Ainda assim, via caminhos alternativos, 17 corajosos abnegados conseguiram chegar, inclusive o autor do texto, que brindou a todos com um “novo dizer” oral do seu texto escrito, mote para um encontro memorável de trocas e aprendizados.

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Ouso aqui, tentar retirar do texto e da fala do professor, algumas de suas principais premissas/desafios:

- Radicalidade dos atores locais/regionais, no sentido de uma transformação política (o processo cultural como um conjunto político), ou seja, radicalizar um pouco mais a própria visão que temos da região do Grande ABC.

- “Ler” a região, ou seja, estabelecer um processo sóciopolítico que crie instrumentos públicos de avaliação, de análise e interpretação das culturas acumuladas na História. Um trabalho que crie a inteligência social e que seja ponto de partida para as verdadeiras políticas urbanas.

- Que as universidades da região, ao lado do Consórcio Intermunicipal, liderem um movimento pela recuperação, estabelecimento crítico, sistematização catalográfica e ampliação consorcial do acervo gráfico e eletrônico que compreenda e explique o Grande ABC.(…) resultando no direito de acesso de todo cidadão (ato político-cultural) que, ao colocar-se diante de um terminal eletrônico, possa descobrir tudo o que há nas instituições regionais e suas conexões, sobre um tema de sua escolha e de seu interesse.

- Pensar a cultura de modo orgânico, como se instituiu a planificação da saúde, da assistência e da educação, criando uma ampla articulação de atores e instâncias, com aplicação mínima de 1% dos orçamentos.

Em suma, um processo de construção das bases de uma “nova gramática social” capaz de refletir sobre a construção de um novo sentido de sociedade.

Sem dúvida um “sonho grande”, mas para o qual, acreditamos, algumas ações em andamento apontam como possíveis “alavancas” para uma “leitura do ABC” e possível concretização de parte desse sonho de aprendizado político e cidadão.
O projeto de um censo cultural regional, em andamento no Consórcio Intermunicipal, que inclui um portal virtual que disponibilize livremente os resultados do censo à comunidade; bem como o projeto de pesquisa atualmente em fase de elaboração pela Cátedra Gestão de Cidades da Universidade Metodista, denominado Políticas Públicas de Cultura: fisionomia e realidade da cultura na região do Grande ABC, que tem o objetivo estabelecer diretrizes e construir indicadores para política cultural na região de modo a contribuir com o processo de revisão do planejamento estratégico regional. Esse projeto, já conta com a sinalização de parcerias com o Consórcio Intermunicipal, o próprio Fórum Permanente de Debates Culturais e as Prefeituras das sete cidades, bem como buscará o apoio da FAPESP.
O caminho está aberto a quem o desejar trilhar (dtv)

Monturo

30 de Janeiro de 2010 @ 22:08 por Dalila

Há tempos, o prédio situado na rua Eduardo Monteiro, nº 206, bem em frente ao Alpha, passava por uma reforma. Anunciava-se para o local uma loja de colchões e, no andar superior, um escritório de arquitetura. Após alguns meses de trabalho, o construtor abandonou a obra (em desabafo aos vizinhos, alegou falta de pagamento). A partir daí, ninguém mais ali apareceu (nem construtor, nem locatário, muito menos o proprietário). A caçamba onde o construtor havia depositado o entulho da reforma, foi recolhida e, presumivelmente, também por falta de pagamento, o motorista que a veio retirar derrubou o conteúdo da mesma no espaço que seria reservado a estacionamento do prédio.

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A partir daí, com aparência de abandono e a conhecida falta de cidadania vigente (é preciso que se diga que estamos falando de um chamado “bairro nobre” de Santo André), o local transformou-se no “lixão” preferido do bairro. O lixo é mutante. Muitas das coisas que ali são deixadas logo são aproveitadas por outras pessoas para, logo a seguir, o local receber, na calada da noite, novos descartes, substituindo e aumentando o monturo que, assim, vai-se acumulado e abrigando insetos e outras espécies (roedores já foram vistos saindo dali).
Como o prédio está situado em um declive, a cada chuva forte (e olha que não tem sido pouca no último mês) parte desse lixo vai parar nos bueiros, um pouco mais abaixo.
Como nenhum responsável pelo imóvel aparece (ao menos à luz do dia), contatamos o SEMASA, mas uma atendente alegou “não ser de sua responsabilidade” a retirada do lixo. Tentaremos comunicação com o Sr. Saul Gelman, recentemente eleito (pela terceira vez) ouvidor da cidade, a ver se a situação é resolvida.

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Enquanto isso, impávido e indiferente, o tomateiro que ali nasceu prepara-se para dar frutos.
Já dizia Baudelaire: “De uma cidade a história depressa muda, mais que um coração infiel”, referindo-se à “moderna” cidade de Paris do Século XIX. O moderno ficou velho e muito piorado. (dtv)

Personagens

29 de Janeiro de 2010 @ 23:01 por Dalila

Mais personagens, fugidos da chuva e da mesmice cotidiana, refugiam-se, no Alpha:

Marcelo de Paiva, jovem historiador, vem à busca de subsídios para um trabalho de investigação sobre aspectos da cultura em algumas cidades da região do ABC (Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) que, em breve, será transformado em livro. O acervo do Núcleo Alpharrabio de Referência e Memória contribuiu com livros e documentos.

Luzia Maninha e Fátima, sempre envoltas em surpresas e mistérios, “tramam” projetos para artefatos gráfico-artísticos. (juro que, por mais que tenha me esforçado, não consegui captar detalhes – antes assim, melhor a(s) surpresa(s)).

As “meninas” Penélope, Suca e Criz, hoje à tarde, em torno do chá com bolachas e muito entusiasmo (a terra chega a tremer, quando se juntam), tramam peripécias artísticas e contribuições inovadoras para as comemorações dos 18 anos do Alpha. Sangue novo, vida renovada. Que bom!

Hugo Gallet, lá no fundo da livraria, ocupado com seus pincéis, dá os últimos retoques num quadro absolutamente arrebatador, do qual daremos notícias em breve, quando ele, enfim, em letras vermelhas, o assinar.

E então? Que tal fazer parte desta nossa “galeria”? Não se preocupe que, se houver proibição expressa, a sua presença não será divulgada. (dtv)

CONVITE

27 de Janeiro de 2010 @ 21:32 por Dalila

REUNIÃO DO FÓRUM PERMANENTE DE DEBATES CULTURAIS COM DISCUSSÃO DO TEXTO Grande ABC: culturas que excedem o lugar culturalizado, de Luiz Roberto Alves

Na próxima segunda-feira, 01.02.10, às 19h00 a primeira reunião deste ano do Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC, instituído em novembro de 2007 e que desde então vem desenvolvendo interruptamente suas atividades, através de reuniões mensais.
A pauta principal desta reunião é uma discussão sobre o texto Grande ABC: culturas que excedem o lugar culturalizado, do Prof. Luiz Roberto Alves, plaquete publicada pela Alpharrabio Edições e lançada durante a última reunião do ano (nov.2009, do Fórum.
Trata-se de um precioso texto (a íntegra da conferência do Prof. Luiz Roberto Alves, pronunciada no 10º Congresso de História realizado em São Caetano do Sul) que, acreditamos, muito poderá contribuir com os nossos debates e ações futuras.
Contamos com a valiosa e imprescindível presença e colaboração de todos os interessados em pensar a Cultura no ABC.
A Livraria Alpharrabio fica na Rua Eduardo Monteiro, 151 - trav. da Av. Portugal, altura nº 1.000 - Santo André - 4438-4358)
Abraço cordial e até lá
dalila teles veras
Coordenadora - Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC

personagens

25 de Janeiro de 2010 @ 22:57 por Dalila

Com a reabertura do Alpha após as férias, os personagens (e suas histórias e projetos) voltaram à cena na casa da Eduardo Monteiro.
- José Armando Pereira da Silva, finaliza, com Luzia Maninha, dá os “toques” finais na editoração do livro Andamentos da Cor, de sua autoria, a sair brevemente, pela chancela Alpharrabio, com patrocínio do Fundo de Cultura de Santo André. O livro dá a conhecer ao grande público a obra de um extraordinário artista, Paulo Chaves, nascido em 1921 e que, aos 18 anos, veio com a família para Santo André, cidade onde fez sua primeira exposição, em 1947, no I Salão de Belas Artes do Município.

- Conversa longa e animada com o professor Marcelo Húngaro, atualmente na UNB, organizador de quatro títulos recém publicados pela Alpharrabio Edições, em co-edição com a UCSCS ( * veja abaixo). Mas a conversa girou em tornou de um volume por ele encontrado nas prateleiras, Escola de Futebol, Educação e Cultura, de José Rossi, o chamado “filósofo do esporte”, que foi seu treinador quando dos tempos da “escolinha de futebol” em São Bernardo do Campo (Marcelo chegou a jogar profissionalmente, quem diria!). Grande figura essa de Rossi, ao menos pela narrativa cativante do professor seu ex-aluno! Rossi, homem ligado à nossa região que hoje dá nome a campeonato de futebol e, desde 2001 ao Complexo Esportivo” de São Bernardo do Campo. José Rossi que, dentre mil atividades, teve uma longa carreira de esportista, professor, técnico de times e seleções (inclusive de Cuba) e escritor, autor de, entre outros, “Bola nos pés - Livro nas mãos”, em 1972; “Apesar das Chaminés”, em 1978; “Filosofia do Futebol Moderno e Adjacências” e, como ninguém é perfeito, foi também membro da Academia de Letras da grande São Paulo. O livro foi colocado à venda por puro descuido. Por pouco não sustei a venda do livro, mas manda a ética que o consumidor tem sempre razão e livro na prateleira é livro à venda (agora terei que comprar outro exemplar para o acervo do Núcleo Alpharrabio de Referência e memória).

(*) - ESPORTE, EDUCAÇÃO, CORPO E SAÚDE Apontamentos críticos: 5 Anos de Pesquisa do Observatório de Políticas Sociais de Educação Física, Esporte e Lazer grande ABC/GEPOSEF Organizador: Edson Marcelo Hungaro

-NEOLIBERALISMO E POLÍTICAS DE LAZER Apontamentos críticos: 5 Anos de Pesquisa do Observatório de Políticas Sociais de Educação Física, Esporte e Lazer grande ABC/GEPOSEF, organizadores: José Luís Solazzi e Juliana Pedreschi Rodrigues

- ESTADO, POLÍTICA E EMANCIPAÇÃO HUMANA - Lazer, Educação, Esporte e
Saúde como Direitos Sociais. Organizadores: CARLA CRISTINA GARCIA, EDSON MARCELO HÚNGARO e LUCIANO GALVÃO DAMASCENO

- CULTURA, EDUCAÇÃO, LAZER E ESPORTE: fundamentos, balanços e anotações
Críticas. organizadores: EDSON MARCELO HÚNGARO e WILSON LUIZ LINO DE SOUZA

- No mais, Poetas, artistas à busca de aconselhamento e ombro amigo com quem repartir dúvidas artístico-existenciais, para quem, nem sempre, correspondemos às expectativas. (dtv)

Voltamos

19 de Janeiro de 2010 @ 23:11 por Dalila

Aviso aos navegantes: o Alpha, desde ontem, está novamente com suas portas (físicas) abertas ao público. Assim, aguardamos a visita de todos pois, afinal, para isso a Casa da Eduardo Monteiro foi concebida, ou seja, para a partilha de leituras e idéias, o convívio e a fruição. Até mais (dtv)

Agradecimentos e estatística

16 de Janeiro de 2010 @ 22:04 por Dalila

Enquanto “esquentamos os tamborins” para a grande festa dos 18 anos do nosso Alpha (marque na agenda: 22 de fevereiro próximo, uma segunda-feira), vamos à costumeira estatística deste nosso blog:

De agosto 2006 até o presente momento (16.1.10):

299 artigos publicados (destes, 83 novos artigos foram postados em 2009)
546 comentários publicados (132 acrescidos em 2009)
191 diferentes usuários publicaram comentários (64 novos leitores arriscaram comentar matérias neste último ano) Desses 191, os campeões em números de comentários:

1. Isa Ferreira
2. Constança Lucas
3. Rosana Chrispim
4. Edmundo E. Dias
5. Daniel Brazil
6. Margarita Lo Russo
7. Antonio Possidonio Sampaio

Em 31.12.08, eram registradas 98.033 visitas. Hoje, 16.1.10 – nosso medidor automático registra 177.143 visitas.
Isso significa que o número de visitantes neste ano foi quase equivalente ao primeiro período que vai de agosto de 2006 a dezembro de 2008 (dois anos e 4 meses).
Assim, de janeiro a dezembro de 2009, contamos com 76.140 visitas (6.344 mensais, média de 211 por dia), com picos de 35 visitas simultâneas.

Os 10 artigos campeões no recebimento de comentários foram:

• Orquestra Sinfônica de Santo André pede socorro
• Alegria obrigatória
• “Tome nota” [tn]
• Troca de Idéias
• A cultura refém de equívocos e desdém de gestores e administrações públicas
• 2006 - Inevitável balanço
• Morreu o Maestro Flavio Florence
• Teste e encerramento das tarefas blogueiras
• Festejando na chuva
• Alpharrabio é também livraria

Os 10 artigos mais vistos

• Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC - V (5.980 entradas).
• Fórum permanente de Debates Culturais do Grande ABC VII (5.852).
• 1992 - Ano I do Alpharrabio (5.554).
• Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC IV - GT de Cultura no Consórcio (5.180).
• Fórum Permanente de Debates Culturais VIII (5.103).
• “Tome nota” [tn] (5.063).
• passeio gastronômico (4.530).
• Livros, em forma de esperança (2.623).
• O trabalho no mundo atual (1.676).
• Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC - VI (1.409)

Para uma modesta livraria de bairro, alternativa a tudo, distanciada dos modismos “mega”, escondida entre arranha-céus residenciais, estes números chegam a surpreender e assustar.
De qualquer maneira, a todos que por aqui passaram e nos prestigiaram com sua leitura e interatividade, o nosso melhor agradecimento e os votos de um esplêndido 2010. (dalila teles veras)

Férias

29 de Dezembro de 2009 @ 20:41 por Dalila

O Alpha encontra-se em férias coletivas, mas nem tão coletivas assim, nem totalmente férias – o comércio virtual continua e as idéias estão sendo ordenadas rumo às comemorações da maioridade: 18 anos, em fevereiro próximo. As portas físicas, apenas, encontram-se fechadas e serão reabertas no dia 18 de janeiro, com novidades.
Que 2010 nos seja leve e ao mesmo tempo profícuo. Boas Festas (dtv)

A cultura refém de equívocos e desdém de gestores e administrações públicas

17 de Dezembro de 2009 @ 23:16 por Dalila

Participei da última reunião do ano do NE (Núcleo Estratégico) Cultura no Consórcio Intermunicipal Grande ABC e confesso que o clima foi frustrante, melancólico mesmo, como, aliás, também o foi todo este ano, em que pese alguns (poucos) avanços.
Para quem, como eu, participa da vida cultural da região há 30 anos, é sempre desanimador constatar que, após a luta para galgar dois degraus, despencamos cinco. É como se estivéssemos praticando um alpinismo constante num terreno improvável, no qual jamais se alcança o topo, típica tarefa de Sísifo.
Temos relatado neste blog as atividades do Fórum Permanente de Debates Culturais, instaurado em novembro de 2007 e que, desde então, se reúne mensalmente na livraria Alpharrabio. Igualmente temos noticiado sobre os trabalhos do NE Cultura (Núcleo Estratégico Cultura) do Consórcio Intermunicipal ABC, antigo GT (Grupo de Trabalho), graças às gestões de representantes do Fórum junto ao Consórcio. O NE reúne as sete secretarias de cultura das sete cidades da região do Grande ABC e representantes do Fórum (Sociedade Civil).
Quem acompanhou as discussões e leu esses relatos bem pode aquilatar a intensidade e o alto nível dos debates e propostas daí resultantes.
Entretanto, as coisas nem sempre são o que parecem ser e não andam como deveriam andar. Senão vejamos:
Em março de 2008, o GT Cultura no Consórcio, coordenado pela primeira vez por um representante da sociedade civil, conseguiu o feito de reunir os 7 secretários municipais de cultura que, à época, encontravam-se no último ano de suas respectivas gestões públicas e curiosamente sequer se conheciam pessoalmente, muito menos haviam, até então, levantado quais possibilidade de ação integrada regional.
Pois bem, houve ali uma demonstração de vontades em fazer valer as propostas (apresentadas pela sociedade civil) de revisão do Planejamento Estratégico Regional no eixo da cultura, visando a ações integradas regionais, à cultura como centralidade e transversalidade. Essa vontade foi igualmente manifestada no início deste ano de 2009 pelos secretários que representam as atuais administrações, à época, recém-empossadas, bem como durante a Oficina de Planejamento Estratégico do Núcleo Estratégico Cultura promovida pelo Consórcio, realizada nas dependências do SENAC.
Sim, senhor, muito bem, é maravilhoso, vamos tocar… mas… estas foram as únicas oportunidades em que os senhores secretários (as) se dignaram a comparecer neste ano às reuniões mensais do NE, enviando, quando muito, representantes.
Apesar dos nítidos esforços do setor administrativo do Consórcio que contratou funcionário com a função específica de acompanhar, sistematizar informações e lhes dar o devido encaminhamento às propostas do NE, pouco se avançou.
A apresentação pela sociedade civil do projeto de um Censo Cultural regional amplo, de caráter analítico e quantitativo foi acatada e passou-se a aperfeiçoar esse projeto. Assim como esse, outros projetos e intenções foram debatidos e, lamentavelmente, nenhum deles concluídos. De concreto mesmo, conseguimos que a agenda cultural regional (limitada, até o momento, às atividades bancadas pelo poder público) fosse incluída no Portal do Consórcio. É muito pouco, convenhamos, para dois anos de trabalho.
Tudo continua patinando, simplesmente porque os senhores(as) secretários(as) habitam alguma espécie de cápsula (tomara que seja hiperbárica e esteja oxigenando seus cérebros) que os deixa inacessíveis e incomunicáveis.
Ao que parece, ninguém tem acesso a eles, nem mesmo seus assessores que os representam nas reuniões e, por nunca serem os mesmos, não detêm as informações sobre o processo da discussão acumulada, não trazem respostas às questões anteriores (a justificativa é sempre a mesma: o secretário não respondeu, não houve oportunidade para falar com o secretário) e muito menos possuem poder de decisões. Assim, patina-se, patina-se e ninguém sai do ring.
O senhores(as) secretários(as) encapsulados(as) tampouco adquiriram o hábito de responder aos emails nem aos convites que lhes são dirigidos. Para citar apenas um exemplo, foram convidados, através de ofício impresso e também de email, para um Colóquio de Políticas Públicas da Cultura, iniciativa da Universidade Metodista de São Paulo, em parceria com o Fórum de Cultura. Apenas dois dos sete tiveram a delicadeza de responder, aceitando ou justificando a recusa, ainda que cobranças insistentes lhes fossem feitas. O resultado foi o cancelamento do Colóquio, pelo absoluto desdém demonstrado à iniciativa. Mais recentemente, também não se conseguiu uma resposta a outra convite, desta feita, para cooperação mútua entre Universidade Metodista, Secretarias e Fórum, num projeto sobre políticas públicas a ser encaminhado à FAPESP.
As Universidades não estão sendo levadas em conta, muito menos parece interessar o diálogo e a cooperação.
A inteligência regional, que não é chamada nem ouvida, está sendo jogada no ralo por essa gente que aceitou um cargo, apenas por vias políticas, via de regra, não sabe exatamente o que fazer com ele. Sua idéia de cultura é a mais simplória possível. Eventos, eventos, eventos… Balcão e agenda.
A justificativa (que, na verdade, demonstra a falta de um plano municipal/regional de cultura) é sempre a mesma, falta de recursos. O que ainda para não estar entendido é que antes dos tais recursos, ou melhor, para que os tais recursos sejam contemplados no Orçamento das cidades é preciso que haja projetos, incluídos dentro de linhas claras e objetivas de políticas públicas.
Chega de personalismos, achismos, simulacros na gestão pública da cultura. Chega de torrar os caraminguás destinados à cultura em shows com “artistas” oriundos da chamada indústria cultural, contratados a peso de ouro, com a justificativa esfarrapada de que “é disso que o povo gosta”. O povo só não gosta do que não conhece e também, por outro lado, conhece coisas que são solenemente ignoradas e descartadas por essa gente que acha que sabe o que o povo gosta.
O povo continuará com suas manifestações culturais (populares, folclóricas, eruditas) apesar das administrações públicas. Mas cabe a quem tem voz o dever de alertar esses gestores sobre seus deveres no cumprimento de preceitos constitucionais e garantir a esse povo, não só o seu sagrado direito de se manifestar, como também a obrigação de apoiar essas manifestações.
Estou desanimada, é bem verdade (como tantos…). Estou desanimada, realmente desapontada em ver, a cada mudança de administração pública, apagada a memória de tudo quanto foi discutido e realizado nas gestões anteriores. Estou farta de ouvir gente que não se preocupa com indicadores, desconhece a cidade e suas pulsações, mas jamais desce do palanque, como se permanecesse em eterna campanha para eleição.
Sim, frustrada e desanimada, mas quero dizer, em alto e bom som, que, em absoluto, não vou jogar no lixo a massa crítica que acumulei em décadas de buscas de informação, leituras e conhecimento. Tampouco jogarei no lixo as horas que doei, sempre de forma voluntária, em prol do coletivo em reuniões, seminários, congressos, discussões de projetos. Ainda que “persona non grata”, continuarei a participar de todo e qualquer movimento que vise o a valorização da causa do livro, da leitura, da memória, da cultura, enfim.
Espero que essa inteligência regional a que me refiro, pessoas com quem convivi/convivo (e também as que não conheço pessoalmente, mas sei que existem), igualmente desapontadas, também não desistam nem se calem.

Dalila Teles Veras é poeta, cronista, ensaísta, participante ativa há três décadas da vida cultural da região e da Capital, idealizadora e fundadora da Livraria Alpharrabio, pólo cultural que completará 18 anos no próximo mês de fevereiro de 2010 e responsável por este blog e, naturalmente, pelas suas próprias opiniões.

DESDOBRAMENTOS: Além dos comentários aqui deixados pelos leitores, leia aqui texto do jornalista Daniel Lima, Alô, alô, inconformados!… que analisa e comenta este nosso texto