Na tela do auditório da livraria, um documentário (Passaporte Húngaro) sobre as peripécias de alguém (a própria cineasta) em busca de um passaporte. De origem húngara, a personagem deseja resgatar sua identidade e enfrenta os tortuosos caminhos da burocracia para obter o documento. Na platéia, o sr. Mathias, emocionado, acompanha cada passo da personagem. A sua história também era aquela. No Brasil desde 1949, ainda não lhe foi dado o direito de ser brasileiro. Nascido na Hungria, em 1934, perdeu o direito de continuar húngaro. A pátria de adoção não o reconhece e a pátria de nascimento o desconhece (a guerra eliminou seu nome), afinal, nem a língua materna já fala, depois de meio século a falar o português. Em agosto de 2006 dirige uma carta manuscrita de 11 páginas ao Cônsul da Húngria em São Paulo contando sua história e fazendo 3 pedidos: localizar seus parentes; saber o que foi feito da propriedade dos pais; indicação de um professor para reaprender a língua magyar. Finalmente ficou sabendo que sua mãe ainda vive, hoje com 93 anos. Decide ver a mãe e corre atrás do passaporte. A barreira da língua, no entanto, é um dos entraves e a obtenção da cidadania brasileira não se mostrava viável. Passados alguns meses, a esperança a esmorecer, foi informado por uma amiga do filme que seria exibido na livraria. O filme e a posterior conversa com o prof. Jovanovic, linguista, poliglota e, assim como a cineasta, também de origem húngara, que na ocasião comentou o filme para a platéia, abriu caminhos para o sr. Mathias. Pouco tempo depois, com a ajuda do professor, o Sr. Mathias estava de posse de seu passaporte e já marcou sua passagem para abril próximo (para fugir do rigor do inverno – o corpo já está aclimatado aos trópicos). Assim, o Alpha cumpre, também neste caso e mais do que nunca, a sua vocação de propiciar o encontro, a troca, a fraternidade. Boa viagem, sr. Mathias.
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Bom dia
Brasil porto de todos os exilados do mundo.
Alpha criação de pluralidade, que bela história hoje aqui contada.
abraços
Constança
PS
gostei da foto:) tb
Estou apaixonado pela história do Sr. Mathias. Lamentavelmente não vi o filme, mas pelo relato da Dalila, percebo que estamos diante de uma bela história, quem sabe mais extraordinária do que a do filme Passaporte Húngaro. 0s desdobramentos, após a exibição do filme, já são extraordinário, e certamente as sequências (localização da família, etc.) também ampliam a história inicial, com resultados que podem ensejar um novo filme, este baseado numa história verdadeira. Seria o caso de a gente conversar a respeito objetivando a realização de um filme. Para tanto, desde já uma conversa com Edmundo para avaliação do projeto, prof. Javanovic, Dalila, o próprio Matias… Vamos nessa?
A solidariedade ainda é eficiente.
Vamos repetir em 2007 o que foi ótmo em 2006
Abraços
Como quem descobre um lugar misterioso, mas muito interessante, com passos envergonhados e discretos, fui caminhando pelos textos que por aqui encontrei. A riqueza das palavras, dos pontos, vírgulas e exclamações, chamaram-me muita atenção.
Fui apresentada ao livro: ‘Alpharrabio 12 anos: uma história em curso.’, passei a admirá-la, saboreando as diversas reuniões, descritas no livro, atrevendo-me a dizer que foram também inquietudes, de pessoas as quais por mim serão sempre respeitadas, as quais espelho-me, por quê não? Como jovem que sou, faço jus a minha idade e venho saltitar por aqui para deixar-lhe um rastro da minha intensa vontade de colocar em prática aquilo de que realmente gosto e quero realizar, outro detalhe importante que aprendi com o livro.Uma pequena aspirante à poetisa, a escritora, enfim, a arte, caminhando por entre as sinuosas curvas do dia a dia, colocando no papel o que alguns acham não ter poesia. Há cada passo dado, mais vitórias, mais vontade de escrever sem fim, de contatar-me com pessoas assim, que amam a arte do fundo da alma. Sendo assim, deixo meu blog http://www.papelavulso.blogspot.com , uma leve pincelada de palavras e de assuntos que muitas vezes passam esquecidos pela correria do dia.
Um forte abraço e até breve, Lígia!
“Que transborde nas pontas dos dedos palavras, forças, risadas,
Que escrever torne-se cada vez mais leve, como o vento na madrugada.”