Foi… mas volte…
Tenha paciência, foi predestinada a dividir viagem connosco
As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Este é o poema do amor.
O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor,
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor,
amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.
Este é o poema do amor.
António Gedeão
……………………
Mas também pode escrever sobre outra coisa que mais lhe aprouver.
Pode ser sobre (des)ilusão, ou mesmo a falta de “pão”, pode até ser apenas para me quedar, pode ser tudo menos esta “distância”.
Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.
Moro pertinho, pertinho. É só atravessar esse grande mar que nos uniu, esse pequeno mar que nos separa e chega àquele fantástico País solarengo e acolhedor que tb é seu. Felicidades
Foi… mas volte…
Tenha paciência, foi predestinada a dividir viagem connosco
As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
Poema de Dalila Teles veras
Paisagem
Regressar
porque se é partida e fuga
e sempre deixamos alguém à espera
É rocha e água este tempo
de areias difusas a paisagem
represada na garrafa
http://dalila.telesveras.nom.br/PoesiasdolivroAjaneladosdias.htm
E o gênio à espera
à espera
de caridosas mãos que o desarrolhem
e o tornem eterno e faça-se a história
Que são os anos para quem
vive sob permanente encantamento?
Que é da existência
quando desfeita a paisagem?
Este é o poema do Amor
Este é o poema do amor.
O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor,
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor,
amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.
Este é o poema do amor.
António Gedeão
……………………
Mas também pode escrever sobre outra coisa que mais lhe aprouver.
Pode ser sobre (des)ilusão, ou mesmo a falta de “pão”, pode até ser apenas para me quedar, pode ser tudo menos esta “distância”.
Dez réis de esperança
Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.
poema de António Gedeão
1906/ 1997 Portugal
As palavras do poeta
Gosto das palavras
daquele poeta
Gosto dos sons
daquelas palavras
sem as querer
Gosto dos movimentos
daquelas letras
que pedalam
no meu coração aquecido
pelas suas melodias
Atreladas à doçura
na minha vida
de barulhos e silêncios
Gosto daquele poeta
Constança Lucas
……………………………….
Pelo prazer de gostar do mesmo gosto, registe-se e promulgue-se sua criação.
Obrigada Isa, não sei onde mora, mas more onde morar obrigada por me colocar em tão boa companhia.
Olá Constança
Moro pertinho, pertinho. É só atravessar esse grande mar que nos uniu, esse pequeno mar que nos separa e chega àquele fantástico País solarengo e acolhedor que tb é seu. Felicidades