É com imenso pesar que registramos o falecimento da escritora Zélia Gattai Amado, às 16h30 deste sábado, 17 de maio de 2008, aos 91 anos, em Salvador. Viúva do escritor Jorge Amado, com quem viveu 56 anos, Zélia nasceu em São Paulo e em seu primeiro e até hoje mais conhecido livro Anarquistas Graças a Deus, fala de seus parentes italianos que residiram em São Caetano do Sul.
No dia 2 dezembro de 2002, ano do 10º aniversário da livraria e do nonagésimo aniversário de Jorge Amado, falecido no ano anterior, a Livraria Alpharrabio instala em sua sede, em sua homenagem, uma escultura de 2m de altura retratando o escritor de forma bastante original pelo artista argentino radicado no ABC Ricardo Amadasi. Estiveram presentes à cerimônia, Zélia Gattai Amado, em companhia de seu filho João Jorge Amado e de Joelson Amado, irmão de Jorge. Foi uma festa memorável, à qual compareceu um grande número de público, composto por leitores, artistas e autoridades, entre elas, o Prefeito de Santo André, João Avamileno. Outro fato marcante dessa festa, foi o lançamento simbólico do selo Jorge Amado – A Bahia em Letras, da Série Literatura Brasileira, a cargo da empresa Correios. Zélia contava, à época, 85 anos e mostrava grande disposição física, autografando por um longo período dezenas de seus livros. Da sua fala, que, junto com as demais, está registrada no livro Alpharrabio 12 anos – uma história em curso, destacamos: “Jorge foi um dos homens mais premiados e mais condecorados que eu conheci, embora ele fosse uma pessoa muito simples e retraída. Ele sempre dizia: “Eu nunca pedi um prêmio, nem mesmo insinuei que me dessem um prêmio, mas quando me dão, eu fico muito contente e vou buscar seja onde for, nem que seja uma medalhinha, e agradeço. Hoje eu estou aqui em Santo André e não é por nenhuma medalinha. É uma escultura belíssima, arte deste grande escultor Ricardo Amadasi, com a colaboração e o estímulo de nossa amiga Dalila que disse frases tão bonitas, falou tanta coisa de Jorge, uma beleza, e também o nosso amigo aqui, Philadelpho (O memorialista e sindicalista Philadelpho Braz), que repetiu trechos de livros de Jorge.” Zélia não se tornou escritora porque foi mulher de Jorge Amado, mas porque tinha talento e brilho próprio. Ficou-nos na memória, indelével, o seu sorriso e simpatia contagiantes, a marcar um dos pontos altos desta nossa história alfarrabista de 16 anos. Como disse o genial Guimarães Rosa na voz de Riobaldo “a gente não morre – fica encantado”. Zélia ficou. (dtv)
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Encontro de namorados no céu das palavras deve ter brisa, perfume de flor de laranjeira, noturnos de Chopin e depois som de tambores anunciando a chegada da noiva. Uma festa. Zélia e Jorge… enfim.
Tia Zélia, é como a chamava quando pequeno. Uma das mais perenes lembranças de minha infância em Salvador é uma visita à casa de Jorge Amado (não a turística, mas a do Rio Vermelho, onde moravam).
E lembro não da arquitetura, do jardim ou dos quadros na parede, mas do bolo de fubá (e guaraná Fratelli Vita!), servido por tia Zélia.
Cresci, mas toda vez que falo dela me lembro (me sinto?) pequeno.
Zélia Gattai resgatou a presença feminina na construção da cidade de São Paulo, as suas palavras cheias de afeto trouxeram novas formas de sentir a cidade.
Cumpriu seu caminho.