A manhã do último sábado no Apharrabio foi regada a chá, memória e afetos. No comando da festa, Sônia Guedes, a atriz, e Adélia Nicolete, a autora de Chá das Cinco, uma biografia de Sônia. As histórias que ali foram contadas deliciaram os presentes, para além do chá. História de vida. Lições de vida. Reflexões sobre a arte de interpretar e de escrever. A paixão de ler. Adélia: “a Coleção Aplauso mostra a importância da memória. Quem escreve aprende com a trajetória. Optei por uma ordem cronológica dos fatos e pela estrutura de um quase-romance, porque o resultado das inúmeras entrevistas com Sonia determinou esse formato. Já Sonia discorreu sobre sua infância em Paranapiacaba, a luta para iniciar a carreira num tempo em que a profissão de atriz era considerada “pecaminosa”. As peças inesquecíveis: “Ganhei dinheiro com “Pérola”, fiz meu melhor papel em “Ismênia”, mas a que mais satisfação pessoal me trouxe foi “Rasga Coração”, por tudo que o espetáculo representou. Sonia: nunca recebi tantos convites como agora para atuar na TV (no momento, está gravando a próxima novela da Record). Motivo? – “Porque nunca fiz cirurgia plástica.” Sim, Sonia simplesmente optou por envelhecer com dignidade, aparenta (e assume) a idade que tem e não há tantas atrizes nessas condições para os papéis que necessitam delas. Vive-se um tempo de congelamento de imagem, ninguém mais quer envelhecer e muito menos representar um personagem que já envelheceu. Outra questão colocada é sobre a trajetória do artista que iniciava com o teatro amador, forma-se numa escola como a EAD, o teatro profissional e, eventualmente, a TV, como foi a própria trajetória de Sonia. Quando um jovem pergunta a Sonia “como é que se chega lá”, ela diz responder: “com uma vida”. Mas o jovem não mais deseja queimar etapas, passar “uma vida” para “chegar lá”. Quer logo um papel na TV (que “dá mais dinheiro”) e aí vale tudo. Resistirão ao tempo como atores(atrizes) as “celebridades imediatas”, como resistiram Sonia, Fernanda Montenegro, Cleide Yaconis e outras? Reflexões como essas também fizeram parte da conversa que avançou manhã adentro e continuou tarde afora, com o almoço, agora com um grupo menor. Com isso, a celebração dos 17 anos do Alpha segue em altíssimo nível, com um público entusiasmado e um clima de cumplicidade fraterna ímpar. No próximo sábado teremos mais. (dtv).
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“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Quem deixou isso registrado em música foi Vinícius de Moraes, e lanço mão das suas palavras pra definir o evento de sábado. Dalila, Maninha, Valdecírio e Cia oferecem sua casa-livraria e promovem encontros. São encontros para refletir, avaliar, fruir, decidir, não importa, são encontros.
O lançamento do nosso “Chá das cinco” reuniu artistas, poetas, políticos, professores, donas de casa, estudantes e tantos outros em torno da figura da atriz Sonia Guedes, que merece todas as homenagens possíveis de nossa parte.
E que os 17 anos do Alpha siga com mais encontros como esse!
Parabéns ao Alpharrabio pelo lançamento-homenagem a Sonia Guedes. Apesar do sucesso no Rio e São Paulo, é em Santo André que está sua melhor história, a origem de tudo. Beijos para a Sônia. José Armando