Personagem e seu lado “B”
Hugo Gallet é, desde há muito, nosso “artista residente”. Já faz parte da paisagem, dos “móveis e utensílios”, da galeria dos afetos da equipe do Alpha e dos amigos e freqüentadores. Todos as tardes “bate o ponto” na livraria. Quando não está lá nos fundos dando retoques na tela “em progresso”

está saboreando seu café e compartilhando com outros seus múltiplos saberes.
Por estes dias, ao lado de suas tintas

encontrei um manuscrito, que surrupiei e digitei (vide abaixo):
Quando abri a porta
Que dá para fora
Algo imenso
assustador
imediato
Encheu o espaço entre as paredes.
Fiquei apenas silhueta
Depois pensei
Bobagem: é a noite, apenas
Depois pensei:
Não, não é a noite apenas:
É a Noite.
Compartilhar com os visitantes deste blog este texto do Hugo (que assina seus quadros como Guedo Gallet) é uma forma de revelação do lado “B” do nosso pintor/pensador.
É bom que se diga que corro sério risco de ser trucidada pelo nosso “abominável homem das tintas”, que adora um bom papo e detesta ser fotografado, mas que volta e meia, de soslaio e sub-repticiamente, é clicado por Luzia Maninha, como nestas fotos

gentilmente cedidas pela fotógrafa para ilustrarem este post. (dtv)
30 de Março de 2010 @ 21:13
No precioso trabalho de Hugo encontro diversos pensamentos contidos, mas o mais comovente (para meu olhar de pouco entendimento artístico) é o momento de revelação. Talvez não devesse explicar, mas lá vai: a janela que se abre para algum, a caixa que contém e está apanhada nas pequeninas mãos, o maquinista que atravessa para o algo além, a pequena luz da lanterna que ilumina a escuridão (meu detalhe predileto, entre tantos), e tantos outros eu poderia aqui descrever. Fica meu comentário de fã incondicional do trabalho deste grande artista.
1 de Abril de 2010 @ 10:38
Nada como se “espantar” com o cotidiano. Faço isso sempre…